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| Bispo Márcio Silva |
Os anjos guardiões / ilustração
- Os anjos
existem mesmo? Eu nunca vi nenhum.
Como ela lhe
afirmasse a existência deles, o pequeno disse que iria andar pelas estradas,
até encontrar um anjo.
- É uma boa
ideia, falou a mãe. Irei com você.
- Mas você
anda muito devagar, argumentou o garoto. Você tem um pé aleijado.
A mãe
insistiu que o acompanharia. Afinal, ela podia andar muito mais depressa do que
ele pensava. Lá se foram. O menino saltitando e correndo e a mãe mancando,
seguindo atrás. De repente, uma carruagem apareceu na estrada. Majestosa,
puxada por lindos cavalos brancos. Dentro dela, uma dama linda, envolta em
veludos e sedas, com plumas brancas nos cabelos escuros. As joias eram tão brilhantes
que pareciam pequenos sóis. Ele correu ao lado da carruagem e perguntou à
senhora:
- Você é um
anjo? Ela nem respondeu. Resmungou alguma coisa ao cocheiro que chicoteou os
cavalos e a carruagem sumiu, na poeira da estrada. Os olhos e a boca do menino
ficaram cheios de poeira. Ele esfregou os olhos e tossiu bastante. Então,
chegou sua mãe que limpou toda a poeira, com seu avental de algodão azul.
- Ela não
era um anjo, não é, mamãe?
- Com
certeza, não. Mas um dia poderá se tornar um, respondeu a mãe.
Mais adiante
uma jovem belíssima, em um vestido branco, encontrou o menino. Seus olhos eram
estrelas azuis e ele lhe perguntou:
- Você é um
anjo? Ela ergueu o pequeno em seus braços e falou feliz:
- Uma pessoa
me disse ontem à noite que eu era um anjo!
Enquanto
acariciava o menino e o beijava, ela viu seu namorado chegando. Mais do que
depressa, colocou o garoto no chão. Tudo foi tão rápido que ele não conseguiu
se firmar bem nos pés e caiu.
- Olhe como
você sujou meu vestido branco, seu monstrinho! Disse ela, enquanto corria ao
encontro do seu amado. O menino ficou no chão, chorando, até que chegou sua mãe
e lhe enxugou as lágrimas com seu avental de algodão azul. Aquela moça,
certamente, não era um anjo.
O garoto
abraçou o pescoço da mãe e disse estar cansado.
- Você me
carrega?
- É claro,
disse a mãe. Foi para isso que eu vim.
Com o
precioso fardo nos braços, a mãe foi mancando pelo caminho, cantando a música
que ele mais gostava. Então o menino a abraçou com força e lhe perguntou:
- Mãe, você
não é um anjo?
A mãe sorriu
e falou mansinho:
- Imagine,
nenhum anjo usaria um avental de algodão azul como o meu...
Anjos são
todos os que na Terra se tornam guardiões dos seus amores. São mães, pais,
filhos, irmãos que renunciam a si próprios, a suas vidas em benefício dos que
amam. Às vezes, podem estar do nosso lado e não percebemos.
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